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O Sector de Saúde da Europa do Leste está fragilizado com a emigração de médicos e enfermeirasTerra Viva Europe A Ordem de Médicos da Europa do Leste apresentou a situação de instabilidade e sustentabilidade, preocupante no sector de saúde da região, a medida que os profissionais de saúde continuam a abandonar o país por empregos no estrangeiro.
Os médicos declararam que milhares de profissionais estão a deixar os seus países devido ao salário baixo e às difíceis condições de trabalho. Alguns médicos chegam mesmo a dizer que a situação é tão má que a própria vida dos pacientes é colocada em causa com os cortes no pessoal que as instituições médicas têm efectuado. A menos que o sector de saúde receba mais dinheiro, no futuro haverá uma séria deterioração dos cuidados de saúde proporcionados aos pacientes. Zdeneck Mrozek, vice-presidente do Czech Medical Chamber disse: “Se nenhuma medida for tomada, a curto ou longo prazo, para melhorar a situação, temo que ao longo do tempo verificar-se-á uma enorme quebra nos padrões dos serviços de saúde oferecidos. Sucessivos governos lutaram pela modernização do sistema de saúde, pouco desenvolvido em comparação com o Ocidente. Nas duas últimas décadas, apesar do aumento dos indicadores de esperança média de vida, de mortalidade infantil e dos procedimentos e tratamentos médicos disponíveis, muitos profissionais de saúde declaram que este facto dissimula os contínuos problemas do sector, que permanece sem grandes financiamentos. Nalguns Estados, devido à crónica falta de fundos, os hospitais e clínicas estiveram com falta de equipamento e materiais para trabalhar. Na Roménia, nalguns hospitais os médicos admitiram que pagaram com o seu próprio dinheiro alguns medicamentos, seringas e curativos, de maneira a garantir que os pacientes recebiam os cuidados básicos. As companhias de fornecimento dos materiais médicos recusaram-se a abastecer os hospitais, devido às dívidas avultadas que os mesmos detinham. No entanto, os oficiais de saúde temem que a falta de pessoal e o êxodo contínuo dos médicos e enfermeiras para o Ocidente constitua uma ameaça ainda maior às já fragilizadas instalações. Recentemente as enfermeiras polacas estiveram em greve, dizendo que a situação é crítica e que em breve a enfermagem poderia tornar-se numa profissão extinta no país. Chamavam a atenção sobre as frágeis condições de trabalho que tinham levado a que milhares de enfermeiras a emigrar, desde que a Polónia aderiu à União Europeia, que proporcionou um acesso mais fácil a mercados de trabalho externos. O salário médio mensal na Polónia é de 825 euros (1,012 dólares), mas as enfermeiras ganham entre 330 a 775 euros (405 a 950 dólares), dependendo da experiência, de acordo com o Sindicato de Enfermeiras e Parteiras da Polónia (OZZiP). Os salários dos profissionais de saúde são mais baixos noutras partes da região. Na Roménia, de acordo com a Faculdade de Físicos Romeno, mais de 4000 médicos emigraram desde 2007- cerca de 10% dos médicos, um médico residente recebe em média 200 euros. O salário médio mensal dos médicos é de 320 euros. Na República Checa, anualmente 50 médicos se formam enquanto 250 médicos especializados e treinados emigram, uma vez que um médico recém-formado recebe 650 euros (797 dólares) por mês, segundo a Ordem de Médicos Checos. O salário médio mensal ronda os 900 euros (1.104 dólares). Na Hungria, aonde mais de 2600 médicos emigraram desde 2004, de acordo com as estatísticas oficiais, médicos sem experiência, em média, só recebem 350 euros por mês. Nos Estados Bálticos, os salários para o pessoal médico também é baixo e os cirurgiões, por exemplo, nunca ganham mais de 800 euros (981 dólares) por mês. Em Janeiro deste ano, a Associação Médica da Letónia declarou que o número de médicos a emigrar duplicou. A Ministra da Saúde Anna-Maria Borissova declarou em Abril que o país tinha metade do número de enfermeiras de que precisava e que “um médico emigra todos os dias”- um exôdo que foi uma “catástrofe” para o sistema de saúde da Bulgária. Os médicos residentes ganham em média 250 euros (306 dólares), por mês. Os médicos avisam que a perda de tantos colegas por ano está a colocar obstáculos insustentáveis aos serviços de saúde fornecidos. Alguns Estados introduziram taxas de consultas e para o transporte ambulatório muito controversas, enquanto se consideravam co-pagamentos ou esquemas de taxas de saúde especiais. Mas com a crise financeira mundial, muitos gastos dos Estados ainda se encontram limitados, sendo que especialistas afirmam que é improvável que esses governos tenham os bilhões de euros necessários para o aumento dos salários a um nível desejado pelos profissionais de saúde. No entanto, o Sindicato dos Profissionais de Saúde diz que as medidas têm que ser tomadas rapidamente. Paul de Raeve, Secretário-geral da Federação Europeia de Enfermeiras, declarou que “a longa tradição de salários baixos e de trabalho por turnos torna pouco atractiva a perspectiva de trabalhar no sector de saúde. Atrair estudantes e trabalhadores para o sector social e de saúde será um grande desafio na definição de políticas. Precisamos de medidas imediatamente”. |
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