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Em França, os imigrantes poderão enviar as suas remessas nas tabacarias

Le Monde, Elise Vincent

A tabacaria da rua Paul-Doumer, na Rueil-Malmaison (Hauts-de-Seine), é actualmente um posto de venda do PMU (Paris Mutuel Urbain - referente às apostas nas corridas de cavalos) e do Loto. Recentemente, nestes postos também é possível enviar dinheiro para o estrangeiro. Na quarta-feira, a 9 Junho, será a primeira vez que em França este tipo de serviço deverá ser inaugurado, no MoneyGram, o segundo maior posto de transferência de dinheiro a nível mundial, a seguir ao Western Union.

A iniciativa que se poderá multiplicar nas próximas semanas, constitui uma pequena revolução no concorrido mercado de envio remessas para o exterior. Estes serviços são utilizados fundamentalmente pelos imigrantes: de acordo com o Departamento de Imigração, que apoia a operação, cerca de 8 bilhões de euros fluíram entre a França e os países de origem em 2009. Este fluxo aumentou em média, 10% por ano desde 2002 e representa até 20% do PIB de alguns Estados como as Comores. Até agora a Western Union estava em um estado de quase-monopólio na França. A empresa possui uma parceria com o Banco Postal desde 1994, o que lhe permite estar presente em 6.000 sucursais espalhadas por todo o país. Para contrariar a ofensiva da MoneyGram, Western Union anunciou a 2 de Junho, uma queda nas comissões em cerca de 20% nalguns itens seleccionados, uma iniciativa que contou com o apoio do ministro da Imigração Eric Besson.

Pressão internacional

MoneyGram vem assim proporcionar um pouco de concorrência ao ramo. Esta iniciativa foi possível devido à implementação de uma directiva da União Europeia de 2007, que preconizava a liberalização dos serviços de pagamento. Tendo entrado em vigor em Novembro de 2009, a directiva permite que os quiosques que assim o desejem possam obter o estatuto de "estabelecimento de pagamento".

As iniciativas da Western Union e MoneyGram inserem-se num contexto de pressão internacional. Na cimeira do G8, em L’Aquila (Itália) em Julho de 2009, os Chefes de Estado e de Governo haviam se comprometido para a redução dos custos das remessas dos migrantes pela metade no espaço de cinco anos. No Outono de 2009, o Banco Mundial também chamou a atenção à França, para as suas taxas que estavam entre as mais altas do mundo.

O Departamento de Imigração incluiu-se rapidamente nas iniciativas de estudo sobre o Western Union e MoneyGram uma vez que, a dois anos das eleições presidenciais, pretendia melhorar a sua imagem, manchada pela sua luta contra a imigração ilegal. Assim, pretendem seduzir e persuadir mais directamente a “imigração regular” e a diáspora através das tabacarias.

Os principais países de destino das remessas correspondem aos países de origem dos fluxos migratórios. Assim, África representa o maior volume de remessas para o exterior da França, classificando-se bem antes da Ásia. De acordo com a MoneyGram, o país que encabeça a lista de transferências é Marrocos, seguido pelo Senegal, Camarões e a Costa do Marfim. Mali, entretanto, de onde a diáspora é muito grande, porém, está menos bem colocado. A culpa, segundo o operador, é o tráfico informal.

Falta de confiança

Essa é a questão que limita o mercado de remessas dos migrantes. Mais de metade dos envios são realizados fora dos canais oficiais, de mão em mão ou através do “hawala " (que permite a troca de fundos sem movimento interbancário). A falta de confiança e os custos com as comissões dos operadores são os elementos mais desanimadores: segundo o Banco Mundial, em França cobra-se entre 13% e 16% de comissão para enviar 140 euros.

Um site para que possibilita a comparação de preços (Envoidargent.fr) foi actualizado no início de Junho, de forma a permitir que os imigrantes tenham acesso aos melhores serviços proporcionados pela concorrência, mas muitos são provenientes de países e áreas rurais, onde a presença dos bancos é muito fraca. Soluções como transferências de dinheiro pelos telefones móveis são cada vez mais estudados, como são exemplo a Marrocos Telecom, que se comprometeu a disponibilizar uma oferta até Junho de 2011.

Como é utilizado este dinheiro? A maior parte das remessas são utilizados para consumo quotidiano: alimentação, habitação, festas religiosas... Num contexto de declínio de ajuda ao desenvolvimento, cada vez mais as instituições, tanto na França como no exterior, vêem esta como uma nova possibilidade para o co-desenvolvimento. Enquanto isso, tabacarias aguardam uma oportunidade.

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