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Um filme de ficção torna a realidade das Migrações mais tangível

“Bilal tem 17 anos e vem do Iraque. Deixou a sua terra, pouco depois de a namorada ter emigrado para Inglaterra, para a voltar a ver. Mas ao chegar a França, no porto de Calais, depara-se com muitos emigrantes ilegais que também tentam chegar a Londres. Bilal decide aprender a nadar para atravessar o canal da Mancha. Na piscina municipal, o rapaz conhece Simon, um instrutor de natação e o seu cúmplice nesta perigosa viagem.”

Esta é a sinopse do filme Welcome que o realizador Philippe Lioret apresentou em ante-estreia portuguesa no cinema monumental em Lisboa, dia 22 de Setembro.

O filme procura falar sobre homens que empreendem viagens de milhares de quilómetros para chegar a Inglaterra mas que ficam retidos em Calais durante semanas, meses, anos. Para a realização do filme, Lioret teve contactos directos com o terreno, seguindo voluntários em acção na região. As histórias do filme são o resultado das estórias que ouviu e presenciou ao partilhar a vida com os refugiados e migrantes que encontrou.

Apesar de ficcional, ao longo de todo o filme é patente uma realidade global – os fluxos migratórios - retratada ao nível local através dos fenómenos complexos e ambivalentes a acontecer em Calais. Aqui não só os migrantes mas também militantes associativos são vítimas de pressões policiais já que prestar auxílio a imigrantes indocumentados é punível por lei.

O tema da imigração ilegal não é uma novidade em França (o tema chega inclusive a perder-se no mediatismo), mas o argumento de Welcome deixa a política a um nível pessoal, utilizando a incapacidade de Bilal chegar a outro país, cuja costa ironicamente consegue ver do outro lado do canal, para apontar severamente a caracterização irracional entre nós (os ocidentais com os passaportes) e os outros (os refugiados).

Em entrevistas anteriores o realizador já tinha declarado que “tudo isto poderia ter acontecido em 1943 e poderia ser a história de um homem que escondia judeus na própria casa e era apanhado. A diferença é que isto acontece hoje. A 200 quilómetros de Paris.”. Acreditando que debates, reportagens e entrevistas mediáticas não chegam ao lado nenhum por não permitirem uma identificação por parte dos espectadores, o realizador prefere “contar uma história no grande ecrã sobre dois homens – e duas mulheres – que se confrontam com as suas emoções, no meio de todo este caos.”

A presença do realizador em Portugal permitiu ao público conhecer as motivações e perspectivas face aos temas abordados no filme. Na sua intervenção, Philippe Lioret não deixou de realçar a sua posição crítica face às políticas actuais da União Europeia e especificamente de Nicholas Sarkozy em relação aos migrantes não documentados. Mas insistiu que Welcome não é, contudo, um filme político. É antes um alerta em relação às políticas sobre as migrações para a Europa. E sobretudo um filme que fala de pessoas, dos seus desejos e das suas motivações.

Devemos estar atentos à digressão mundial que o realizador está a empreender para apresentar o filme em diversos contextos, sempre com debates e acções de sensibilização. Em Portugal, eventos semelhantes vão ter lugar após a estreia nacional a 2 de Outubro.

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